
A cidade de Ouriçangas, localizada a cerca de 158 km de Salvador, vive novamente um clima de apreensão às vésperas da Semana Santa. O motivo é a expectativa da distribuição do tradicional programa “Peixe para Todos”, promovido pela Prefeitura Municipal — ação que, ao invés de garantir alimento digno à população, deixou marcas de revolta e desconfiança no ano anterior.
Em 2025, moradores denunciaram a má qualidade do pescado entregue durante o período. Segundo informações oficiais, a Prefeitura adquiriu cerca de 7 mil quilos de peixe do tipo corvina em postas, por meio do Pregão Eletrônico nº 010/2025, resultando no contrato nº 108/2025 com a empresa Aragão Alimentos Ltda. O edital estabelecia critérios claros: o produto deveria estar próprio para consumo, com aparência e odor característicos, livre de sujeiras e parasitas, além de regularização sanitária.
Entretanto, o que chegou à mesa dos ouriçanguenses foi motivo de indignação. Relatos apontam que o peixe distribuído apresentava forte odor, coloração escurecida e sinais evidentes de má conservação. As denúncias se espalharam rapidamente pelas redes sociais, expondo uma situação que muitos classificaram como desrespeito à dignidade da população, especialmente das famílias em situação de vulnerabilidade, principais beneficiárias da ação.
A tradicional distribuição de peixe na Semana Santa, prática comum em diversas cidades do interior baiano, deveria simbolizar solidariedade e cuidado social. Em Ouriçangas, porém, a iniciativa passou a ser associada ao descaso e à falta de compromisso com a saúde pública.

As denúncias se espalharam rapidamente pelas redes sociais, expondo uma situação que muitos classificaram como desrespeito à dignidade da população, especialmente das famílias em situação de vulnerabilidade, principais beneficiárias da ação. Além disso, a eventual distribuição de alimento impróprio para consumo pode caracterizar, em tese, ato de improbidade administrativa, conforme a Lei nº 8.429/1992, caso fique comprovado dolo ou negligência na gestão dos recursos públicos.
O cenário atual agrava ainda mais a preocupação. A gestão municipal enfrenta críticas severas quanto à sua administração, incluindo denúncias de dívidas com fornecedores e um suposto rombo de R$ 73 milhões nos cofres públicos, conforme apontado por um vereador do município. Diante desse contexto, cresce o questionamento da população: haverá garantia de qualidade e segurança alimentar em 2026?
A incerteza gera medo. Moradores temem que o episódio do ano passado se repita, colocando em risco a saúde de centenas de famílias. Mais do que uma falha pontual, o caso levanta um alerta urgente sobre fiscalização, transparência e responsabilidade na aplicação de recursos públicos — princípios fundamentais da administração pública previstos no artigo 37 da Constituição Federal.
A população de Ouriçangas exige respostas. E, sobretudo, respeito.