
Eu vivo com essa síndrome discreta, mas insistente, chamada “e se tudo der errado?”. ela aparece nos momentos mais aleatórios possíveis: quando estou dirigindo, quando estou trabalhando, quando estou tentando dormir e até quando estou fazendo absolutamente nada. é quase um botão interno de catástrofe que a mente aperta só pra ver o que acontece.
O problema é que a cabeça da gente é muito criativa pra desgraça. ela monta cenários completos, com roteiro, figurino, trilha sonora e desfechos trágicos que, sinceramente, nem a novela das nove teria coragem de escrever. e eu lá, assistindo tudo como se fosse verdade absoluta.
Mas o mais curioso é que, na vida real, quase nunca acontece daquele jeito. e quando acontece… a gente continua. é impressionante como o ser humano é resistente. você quebra, desmorona, chora, xinga, jura que não aguenta mais e, no dia seguinte, tá lá. cansado, mas funcionando. fodido, mas andando. sem forças, mas vivendo.
No fundo, o “e se tudo der errado?” não é uma previsão, é só um medo fantasiado de lógica. porque a verdade é que, mesmo quando dá errado, não dá tão errado quanto a gente imagina. a vida tem essa mania irritante de não seguir o roteiro do caos que criamos na cabeça. ela improvisa. e nós improvisamos juntos.
E, no fim das contas, é isso que me consola: a constatação de que, mesmo quando tudo parece prestes a desabar, existe uma força, teimosa, silenciosa, quase birrenta, que nos empurra pra frente. uma força que não sabe de onde vem, mas aparece bem na hora em que você já tinha apagado as luzes internas.
Então eu sigo. com medo, claro. com mil “e se” rondando meus pensamentos. mas sigo. porque, no final, mesmo quando tudo parece caminhar pra dar errado… a gente dá certo. de algum jeito torto, cansado, remendado, mas dá.
@enricopierroofc
