Domingo, 02 de Agosto de 2026
16°C 25°C
São Paulo, SP

Veja como a combinação de gordura abdominal e falta de vitamina D pode aumentar risco de morte após os 50 anos

Estudo com mais de 5,5 mil pessoas indica que monitorar os níveis do hormônio e controlar o peso são medidas essenciais para evitar mortes prematuras

Por: J6 Live Fonte: Secom SP
02/08/2026 às 13h11
Veja como a combinação de gordura abdominal e falta de vitamina D pode aumentar risco de morte após os 50 anos
Realizada em colaboração com cientistas da University College London (Reino Unido) e financiada pela FAPESP, a pesquisa acompanhou 5.520 pessoas com 50 anos ou mais por seis anos

“A obesidade abdominal é um conhecido fator de risco por estar associado à inflamação e a problemas metabólicos. Já a vitamina D é um hormônio que atua em vários órgãos, e sua deficiência compromete diversas funções do corpo. Quando essas duas condições aparecem juntas, uma potencializa os efeitos da outra, elevando ainda mais o risco de morte”, explica Tiago Silva Alexandre , professor do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador da pesquisa. “Por isso, acompanhar os níveis de vitamina D e tratar o excesso de gordura abdominal são medidas essenciais para evitar mortes prematuras, principalmente após os 50 anos”, acrescenta.

Realizada em colaboração com cientistas da University College London (Reino Unido) e financiada pela FAPESP, a pesquisa acompanhou 5.520 pessoas com 50 anos ou mais por seis anos. Os participantes integram o English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos de envelhecimento do mundo.

Os dados coletados mostram que a deficiência de vitamina D (níveis abaixo de 30 nanomoles por litro de sangue) sozinha representa um risco maior do que a obesidade abdominal isolada – definida como circunferência abdominal maior que 102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres. Enquanto ter apenas obesidade abdominal aumenta o risco de morte em 47%, a deficiência de vitamina D isolada pode elevar esse risco em até 81%. O estudo mostrou que, quando as duas condições aparecem juntas, o risco de morte mais que dobra em comparação àquelas pessoas que não apresentam nem obesidade abdominal e nem deficiência de vitamina D.

De acordo com Alexandre, as duas condições criam um ciclo vicioso. Isso porque a gordura abdominal “sequestra” a vitamina D circulante e a armazena nos adipócitos (células de gordura), impedindo que ela chegue ao sangue. “Isso significa que, embora o corpo possa ter a vitamina guardada na gordura, ela não está livre no sangue para realizar suas funções vitais em outros órgãos e sistemas”, diz.

Outro fator importante é que pessoas com obesidade apresentam menor expressão de enzimas necessárias ao metabolismo da vitamina, reduzindo ainda mais sua disponibilidade. “A obesidade abdominal reduz a vitamina D circulante e essa deficiência, por sua vez, prejudica o sistema imunológico, agravando a inflamação crônica já causada pelo excesso de gordura e elevando drasticamente o risco de mortalidade”, explica Alexandre.

Adiciona-se ainda a esse quadro o fato de que o envelhecimento é marcado naturalmente por um processo conhecido como inflammaging, um estado de inflamação crônica de baixo grau. “Em condições normais, a vitamina D atua como reguladora do sistema imunológico, impedindo que a inflamação se descontrole. Quando seus níveis estão baixos e há excesso de gordura abdominal, instala-se um ambiente sistêmico desfavorável que acelera doenças cardiovasculares, metabólicas e a perda muscular”, ressalta.

Efeito em cascata

O estudo agora publicado é o último de uma série sobre o papel da vitamina D no envelhecimento. “Em trabalhos anteriores, identificamos um efeito em cascata. A deficiência de vitamina D acarreta perda de força, que implica redução da velocidade de caminhada, gerando perda de autonomia e maior dependência nas atividades diárias”, conta Alexandre (leia mais em: agencia.fapesp.br/55593 ).

Além disso, outro estudo do grupo mostrou que a deficiência de vitamina D também aumenta o risco de declínio cognitivo.

“A vitamina D é um hormônio com diversas funções. Ela participa da regulação da pressão arterial, da frequência cardíaca, do sistema nervoso central, do sistema imunológico e do sistema endócrino. Por isso, quando seus níveis estão baixos, diversas funções essenciais do organismo ficam comprometidas”, diz.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
São Paulo, SP
25°
Tempo limpo
Mín. 16° Máx. 25°
25° Sensação
4.02 km/h Vento
43% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h41 Nascer do sol
17h44 Pôr do sol
Segunda
27° 18°
Terça
27° 18°
Quarta
29° 19°
Quinta
29° 19°
Sexta
32° 20°
Economia
Dólar
R$ 5,07 -0,08%
Euro
R$ 5,85 +0,03%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 339,572,00 +0,28%
Ibovespa
177,999,00 pts 0.47%
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Lenium - Criar site de notícias