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Veja orientações sobre prevenção e cuidados com escorpiões

Os escorpiões se adaptaram ao ambiente urbano, onde encontram ampla disponibilidade de alimento (como as baratas), água e abrigo. Eles se escondem ...

Por: J6 Live Fonte: Secom SP
13/07/2026 às 08h55
Veja orientações sobre prevenção e cuidados com escorpiões
Os escorpiões preferem locais quentes e úmidos e necessitam de quatro elementos para sobreviver em qualquer terreno: alimento, água, abrigo e acesso. Foto: Instituto Butantan

Os escorpiões se adaptaram ao ambiente urbano, onde encontram ampla disponibilidade de alimento (como as baratas), água e abrigo. Eles se escondem em locais escuros e costumam entrar nas residências por meio de ralos, calhas, tubulações e caixas de fiação sem vedação. Nem os andares mais altos dos prédios estão totalmente livres do animal, já que ele consegue escalar superfícies irregulares.

Como os encontros entre esses aracnídeos e os humanos estão cada vez mais frequentes, é importante saber o que realmente ajuda a evitar o aparecimento de escorpiões dentro de casa, como lidar ao se deparar com o animal e como prevenir acidentes e complicações em caso de envenenamento.

Onde os animais são encontrados?

Geralmente, eles se escondem perto das casas, em terrenos baldios, velhas construções, entulhos, pilhas de madeira e lenha, tijolos, mato e lixo, além de saídas de esgoto, ralos, entre outros. A Secretaria do Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP) disponibiliza uma Cartilha de Orientação de Manejo Ambiental para Prevenção e Controle de Escorpiões .

Como evitar o aparecimento de escorpiões?

Para afastar escorpiões, é importante cuidar dos ambientes residenciais, seja casa ou apartamento, mantendo-os limpos e sem acúmulo de lixo, entulho, folhas secas e materiais de construção. Qualquer buraco no chão ou na parede pode ser um bom esconderijo, e até mesmo roupas sujas ou molhadas espalhadas pelo chão podem servir de abrigo para os aracnídeos.

Esses animais têm hábitos noturnos e dificilmente aparecem durante o dia, o que torna mais difícil encontrá-los.

Confira dicas para evitar o aparecimento de escorpiões:

  • Mantenha o lixo bem acondicionado para evitar a proliferação de insetos, que servem de alimento para escorpiões
  • Deixe o quintal e o jardim limpos, sem acúmulo de entulhos, folhas secas, lixo doméstico e materiais de construção
  • Evite que folhagens densas, como trepadeiras, arbustos ou plantas ornamentais, encostem em paredes e muros
  • Vede bem as portas com soleiras ou saquinhos de areia
  • Use telas nas janelas
  • Mantenha os rodapés íntegros e pregados na parede
  • Vede todos os ralos com tapete de borracha ou use os modelos de abre e fecha
  • Não deixe roupas sujas ou molhadas no chão
  • Ao colocar um sapato, chacoalhe antes para evitar surpresas
  • Não deixe camas e móveis encostados na parede
  • Não deixe roupas de cama e mosquiteiros encostadas no chão
  • Mantenha todos os buracos nas paredes, como espelhos de tomadas, cabos e caixas de luz fechados

Não existem plantas que afastam escorpiões

Nem alecrim, nem arruda, nem lavanda e nem citronela: não há comprovação científica que determinadas plantas sejam capazes de “repelir” escorpiões. Esses aracnídeos vivem em todos os biomas, de desertos a florestas úmidas, e não existe nenhum repelente natural contra eles.

Até o momento, a única relação cientificamente comprovada entre escorpiões e plantas envolve a espécie Tityus neglectus, que não é considerada de importância médica e não provoca acidentes graves em humanos. Essa espécie, distribuída pela região Nordeste do Brasil, é conhecida por se abrigar em bromélias, onde se aproveita da água acumulada e se alimenta de pequenos insetos.

Qual a temporada de escorpiões?

Nos meses com temperaturas mais altas os escorpiões aparecem com mais frequência, de setembro até fevereiro nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os estados do Norte e Nordeste, que são predominantemente mais quentes, costumam ter incidência do bicho durante o ano todo.

A rápida reprodução dos animais também é um ponto de atenção, já que conseguem gerar entre 20 e 25 filhotes por gestação, que acontece até duas vezes por ano em um período de quatro anos de vida, em média. As espécies fêmeas de escorpião-amarelo e escorpião-amarelo-do-Nordeste têm reprodução por partenogênese, ou seja, elas não precisam acasalar para dar cria.

Quais espécies mais causam acidentes no estado de São Paulo?

Escorpião Amarelo: corpo amarelo claro, com manchas escuras sobre o tronco e na parte inferior do 5º segmento da cauda, mede até 7 cm. Os 3° e 4° segmentos da cauda possuem serrilha. É o escorpião que causa acidentes de maior gravidade, podendo levar a óbito.

Escorpião Marrom: corpo marrom avermelhado escuro, quelíceras e pernas mais claras, com manchas escuras, e pode medir até 7 cm. Não possui serrilha na cauda. São menos numerosos que o escorpião amarelo, mas são igualmente perigosos.

Escorpião-amarelo-do-nordeste: mede entre 5 e 7 cm e possui coloração predominantemente amarela. Apresenta um triângulo escuro na região dorsal do cefalotórax e uma faixa escura central ao longo do dorso do tronco. No 3º e 4º segmentos da cauda, é possível observar uma serrilha dorsal, além de uma mancha escura no 5º segmento. Essa espécie é considerada perigosa devido à potência de seu veneno.

Encontrei um escorpião, e agora?

As autoridades de saúde só indicam tentar capturar um escorpião se você se sentir seguro e protegido. Nesse caso, você vai precisar de luvas específicas ou de um objetivo longo e fino, de superfície lisa. Também é preciso ter em mãos um frasco plástico fundo, de superfície lisa e tampa (evite potes de vidro que possam quebrar), para colocar o animal depois da coleta.

Se não houver segurança, entre em contato com a prefeitura de sua cidade e comunique o aparecimento do animal.

As recomendações da Superintendência de Controle de Endemias do Estado de São Paulo são as seguintes:

  • Com o objeto longo e fino, empurre o escorpião até um local onde consiga coletá-lo com o frasco
  • Mantenha uma distância de pelo menos 30 centímetros entre sua mão e a ponta do objeto
  • Se o animal agarrar o objeto longo e fino, largue sem chacoalhar
  • Coloque o frasco de plástico sobre o escorpião, deslizando um papel grosso (cartolina, papelão) enclausurando o animal no recipiente
  • Vire o frasco e continue segurando o papelão, mantendo o frasco fechado. Quando o escorpião estiver no fundo e não oferecer risco de escapar, retire rapidamente o papel e feche o recipiente com a tampa
  • Outra forma de captura é usando luvas de vaqueta ou luva de raspa de couro com proteção para antebraço, camisa de manga longa sem punho ou com punhos ajustados com fita adesiva e calças compridas ajustadas no tornozelo ou com a calça dentro da bota passando fita adesiva
  • Se não conseguir coletar o animal, você pode exterminá-lo com um golpe vigoroso, usando um objeto plano, bastante sólido e com uma haste longa

O que não fazer?

  • Nunca capture o escorpião com as mãos, mesmo usando luvas comuns
  • Nunca faça a captura sozinho. Tenha alguém por perto que possa ajudar em caso de acidente
  • Nunca utilize inseticida ou produto químico para eliminar o escorpião. Seria preciso usar uma quantidade muito grande, o que prejudicaria a sua saúde e a de quem estiver por perto.
Foto: Reprodução/Secom SP
Foto: Reprodução/Secom SP

O manejo do animal não é recomendado justamente por conta do risco de acidentes. Por isso, ao encontrar um escorpião em casa, é preciso se precaver antes de tomar qualquer atitude. Basicamente, é importante usar luvas de vaqueta – material produzido a partir do couro de gado bovino – ou em raspa de couro, botas ou sapatos fechados feitos de materiais mais resistentes, como couro, e até mesmo perneiras, em caso de ambientes infestados. É importante destacar que a luva de borracha e sapatos de pano são frágeis, e a picada ultrapassa esses materiais.

Por que não usar inseticidas?

Produtos comuns do dia a dia, como vinagre e água sanitária, ou mesmo inseticidas e pesticidas, não são recomendados para controle de escorpiões. Pelo contrário: o uso desenfreado de produtos químicos pode fazer com que o animal deixe seu esconderijo e se espalhe ainda mais para outros lugares, aumentando o risco de acidentes, além de prejudicar a saúde humana e o meio ambiente.

Mesmo que matem o aracnídeo, nenhum produto químico possui conduta de aplicação comprovada cientificamente que considere as variações do ambiente (como temperatura e umidade), uma vez que seus testes foram feitos apenas em ambientes laboratoriais controlados.

A prática também gera estresse no animal, o que é uma das hipóteses que pode favorecer a partenogênese – quando a fêmea se reproduz sozinha, sem a fecundação de espermatozoides. O escorpião vive, em média, de 3 a 4 anos, e tem pelo menos quatro reproduções por ano.

Além disso, o escorpião tem a capacidade de fechar seus estigmas respiratórios (orifícios por onde o animal respira), o que também pode ajudá-lo a sobreviver diante dos pesticidas. Ainda não foi descoberto pela ciência por quanto tempo o aracnídeo consegue “segurar” a respiração.

O que devo fazer em caso de picada?

Após a picada, a primeira coisa a se fazer é lavar o local com água e sabão e fazer uma compressa de água quente para aliviar a dor. Logo depois, é importante buscar o apoio do atendimento médico. A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) disponibiliza um mapa interativo online ( https://nies.saude.sp.gov.br/ses/publico/soro ) com a localização dos 242 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs) distribuídos pelo estado.

A rapidez no atendimento pode ser decisiva. No caso de crianças de até 10 anos, por exemplo, o tratamento precisa ser iniciado em até 1h30 após a picada. Todos os PESAs funcionam como serviços de urgência 24 horas do SUS, contam com médicos capacitados para administrar a soroterapia e possuem câmaras refrigeradas exclusivas para armazenamento dos soros.

Os casos leves e moderados podem ser tratados com o uso de infiltração de anestésico. Se for necessário, o médico pode utilizar o soro antiaracnídico e antiescorpiônico, fabricados pelo Butantan. É importante lembrar que o médico é a única pessoa capacitada para definir a gravidade do acidente e a necessidade da utilização do soro. O Instituto, aliás, possui um hospital especializado no atendimento a envenenamentos por animais peçonhentos, o Hospital Vital Brazil, localizado dentro do Parque da Ciência, na cidade de São Paulo.

Quais são os principais sintomas após ser picado por escorpião?

Os acidentes com escorpiões podem ser leves, moderados ou graves. Nas pessoas, o veneno é capaz de afetar o sistema nervoso e causa muita dor no local da picada, podendo se estender para o membro inteiro. As dores acontecem imediatamente após o ataque. Nos casos moderados, os sintomas podem evoluir para suor excessivo, vômito e taquicardia.

Já em quadros mais graves são caracterizados por suor e vômitos profusos, sonolência com agitação, tremores, aumento dos batimentos cardíacos e da respiração, salivação excessiva, hipotermia, convulsões, edema pulmonar, insuficiência cardíaca e choque, podendo levar à morte.

O que não fazer ao levar uma picada?

Pode espremer o local da picada? Não. O ideal é lavar o local com água e sabão, aplicar compressa morna e evitar espremer, sugar ou fazer torniquete. Leve a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para receber atendimento adequado.

Não passe nenhum produto na picada nem faça torniquete. Além de não ter eficácia alguma contra o envenenamento, a prática pode aumentar o risco de complicações e infecções. O mesmo vale para outros costumes, como fazer torniquete ou tentar “sugar” o veneno. Em todos os casos, a recomendação é lavar o local da picada com água e sabão e procurar o serviço médico mais próximo imediatamente. Se possível, leve o animal que causou o acidente ou fotografe-o. Nunca se automedique.

Como saber se meu pet foi picado por um escorpião?

Mais raramente, os pets também podem sofrer acidentes com escorpiões. Para picadas de aracnídeos, não existe soro veterinário disponível, o tratamento é feito com base nos sintomas, sendo os principais dor severa e persistente, inchaço e vermelhidão. É possível notar o animal demonstrando desconforto ou mancando, se a ferida for em algum dos membros. Em alguns casos, podem ocorrer manifestações sistêmicas:

• Variação de pressão arterial
• Aumento da frequência cardíaca
• Ritmo cardíaco lento e irregular
• Insuficiência respiratória

Assim como para os acidentes humanos, existem muitas crenças populares sobre tratar envenenamentos que, além de não serem efetivas, podem piorar o estado de saúde do animal e até levá-lo a morte. Por isso, não passe nenhum produto no local da picada e não faça torniquetes (isso piora a circulação do sangue e aumenta o risco de amputação de membros afetados). Apenas lave a ferida com água e sabão e leve seu pet ao veterinário.

Vale ressaltar que os soros para humanos e para animais são distintos, com dosagens específicas, e ambos só podem ser aplicados em unidades de saúde com equipe qualificada e preparada para tratar possíveis reações adversas. Os soros produzidos no Butantan, destinados unicamente a uso humano, são distribuídos no país pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em hospitais de referência.

Ilustração: Instituto Butantan
Ilustração: Instituto Butantan
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