
Para debater e conscientizar a população sobre a Doença Hepática Esteatótica Metabólica (MASLD), popularmente conhecida como “gordura no fígado”, a Câmara Municipal de São Luís analisa o Projeto de Lei Nº 0115/2026, de autoria da vereadora Thay Evangelista (Republicanos), que institui a Semana Municipal de Prevenção da Esteatose Hepática. A iniciativa também propõe que a Semana de Prevenção passe a integrar o calendário oficial do Município e que seja realizada, anualmente, entre os dias 9 e 15 de junho. Este período inclui o 'Nash Day', dia internacionalmente dedicado à conscientização sobre a MASLD.
A MASLD é caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. Ela pode se manifestar como uma esteatose simples: quando há apenas excesso de gordura, mas pouca ou nenhuma inflamação; ou pode evoluir para esteato-hepatite, quadro grave que apresenta inflamação, lesão das células hepáticas e possibilidade de desenvolvimento de fibrose. Se não tratada, a “gordura no fígado” pode evoluir para cirrose hepática, insuficiência do órgão e até virar um câncer de fígado.
A Semana Municipal de Prevenção da Esteatose Hepática tem como principais objetivos divulgar as características da MASLD, esclarecer suas causas, formas de tratamento e reforçar que, na maioria dos casos, trata-se de uma enfermidade silenciosa, sem sintomas perceptíveis nas fases iniciais. O projeto também prevê a divulgação de medidas preventivas capazes de reduzir o risco de desenvolvimento da doença.
“A prevenção e a informação são fundamentais, especialmente, porque a esteatose hepática evolui de forma silenciosa e pode causar graves complicações quando não diagnosticada e tratada precocemente”, destacou a vereadora Thay Evangelista, na justificativa apresentada junto ao projeto. Segundo a parlamentar, a iniciativa amplia o conhecimento da população sobre hábitos saudáveis e incentiva o diagnóstico precoce.
A proposta prevê uma série de ações durante a Semana de Prevenção, entre estas, campanhas de divulgação nainternet, televisão, rádio, jornais e revistas, além da distribuição de cartilhas e fixação de cartazes em unidades de saúde públicas e privadas. Também estão previstas palestras abertas à população e programas de atualização e capacitação contínua para profissionais da saúde, como médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, odontólogos, fonoaudiólogos e técnicos de enfermagem.
Fatores de risco
Especialistas apontam que a obesidade, o sedentarismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas estão entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença. A forma não alcoólica, atualmente, a mais comum, está fortemente associada ao excesso de peso e responde por cerca de 60% dos casos de gordura no fígado. Embora mulheres apresentem maior predisposição devido a ação do estrogênio, a doença pode atingir qualquer pessoa e em qualquer idade.
Apesar de não existir um tratamento específico, mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas e acompanhamento médico, são consideradas fundamentais para reverter os casos iniciais.
“Com a instituição dessa data para uma campanha mais direcionada, queremos chamar a atenção da sociedade para um problema de saúde pública que pode ser evitado por meio da informação e da adoção de hábitos saudáveis”, reforça Thay Evangelista. O projeto foi encaminhado às Comissões de Constituição e Justiça e de Saúde para análise.