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Estudo aponta Ponte de Guaratuba com menor custo por m² entre estruturas estaiadas

Segundo o estudo paramétrico elaborado pela Coordenadoria de Programação e Acompanhamento de Obras e Serviços (CPAO) do DER/PR, a estrutura parana...

Por: J6 Live Fonte: Secom Paraná
23/06/2026 às 10h01
Estudo aponta Ponte de Guaratuba com menor custo por m² entre estruturas estaiadas
Foto: Reprodução/Secom Paraná

A Ponte de Guaratuba, inaugurada em 1º de maio, apresentou o menor custo por metro quadrado entre as pontes estaiadas avaliadas em estudo paramétrico elaborado pela Coordenadoria de Programação e Acompanhamento de Obras e Serviços (CPAO) do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR). O levantamento, com data-base de fevereiro de 2025, comparou o valor da Obra de Arte Especial da ponte paranaense com empreendimentos tecnicamente semelhantes executados no Brasil.

Segundo o estudo, a Ponte de Guaratuba aparece com custo de R$ 15.333,91 por metro quadrado, abaixo da Ponte Bioceânica (entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai), com R$ 19.282,41/m², e da Ponte de Aracaju, com R$ 20.586,47/m². O resultado reforça o desempenho econômico do empreendimento e evidencia a importância do orçamento paramétrico como ferramenta de controle, planejamento e tomada de decisão em obras públicas de grande porte.

O comparativo ajuda a contextualizar a gestão da obra dentro do tripé fundamental da engenharia: qualidade, prazo e custo. A ponte foi executada em um modelo de gestão pública baseado em planejamento, controle técnico, inovação contratual e acompanhamento permanente das soluções de engenharia.

Com 1.244 metros de extensão e 22,6 metros de largura, a estrutura se tornou um dos maiores empreendimentos de infraestrutura rodoviária já executados pelo Governo do Paraná. A ponte melhora a mobilidade regional, fortalece o turismo, amplia a segurança viária e encerra uma espera histórica da população pela ligação definitiva sobre a Baía de Guaratuba.

O primeiro passo para a construção da ponte foi a elaboração do Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), que avaliou alternativas de traçado e confirmou a viabilidade da ligação. Na sequência, entre 2020 e 2021, foram contratados os estudos ambientais e o anteprojeto de engenharia, etapa essencial para definir as diretrizes técnicas da futura licitação.

Em 2022, o Governo do Estado lançou o edital de contratação integrada para elaboração dos projetos básico e executivo e execução da obra. O Consórcio Nova Ponte foi declarado vencedor pelo critério de menor preço, com proposta de R$ 386,9 milhões e prazo de 32 meses.

A partir de 2023, com o avanço das licenças ambientais e a superação de etapas jurídicas, o empreendimento entrou em fase de mobilização e instalação do canteiro. Em abril de 2024, com a emissão da Licença de Instalação pelo Instituto Água e Terra (IAT), as obras estruturais tiveram início efetivo.

Desde então, a evolução física foi acompanhada mês a mês. A ponte atingiu 50% de execução em 2025, avançou para 73% após a conclusão da última estaca marítima e encerrou o ano com 88% de execução. Em fevereiro de 2026, foi instalado o último estai. Em março, ocorreu a concretagem do último trecho do tabuleiro, etapa conhecida como o “beijo da ponte”. Na sequência, foram concluídos serviços como pavimentação, iluminação, guarda-corpos, juntas de dilatação e acabamentos.

CONTRATAÇÃO INTEGRADA - A Ponte de Guaratuba foi executada no regime de contratação integrada, modalidade prevista na legislação brasileira para obras de maior complexidade técnica. Nesse modelo, a empresa contratada é responsável tanto pelo desenvolvimento dos projetos quanto pela execução da obra, a partir de um anteprojeto elaborado pela Administração Pública.

A escolha do regime foi considerada adequada diante das características do empreendimento. A construção envolveu condicionantes geotécnicas, ambientais e operacionais específicas da Baía de Guaratuba, além da necessidade de soluções especiais de engenharia, como fundações marítimas, estrutura estaiada, acessos rodoviários, drenagem, contenções, iluminação, sinalização e medidas ambientais.

Na prática, a contratação integrada permite que projeto e execução sejam desenvolvidos de forma compatibilizada, reduzindo conflitos entre etapas e ampliando a responsabilidade técnica da contratada pelo resultado final. Para o DER/PR, o modelo também trouxe ganhos de gestão, com acompanhamento contínuo das soluções executivas, dos cronogramas físico-financeiros e dos marcos de medição.

QUALIDADE, PRAZO E CUSTO -Ao longo da execução, a Ponte de Guaratuba passou a ser tratada como referência interna para o DER/PR por reunir três resultados centrais: qualidade técnica, cumprimento de prazo e controle de custo.

No aspecto da qualidade, a obra adotou soluções modernas de engenharia e controle, incluindo o uso da metodologia BIM para desenvolvimento, compatibilização e acompanhamento dos projetos. A ponte também foi reconhecida nacionalmente ao receber o Prêmio Melhores e Maiores Obras 2025, na categoria Melhor Ponte Rodoviária do Brasil, concedido pelo Instituto de Engenharia.

No prazo, a obra foi entregue dentro do período contratual previsto, mesmo diante de desafios ambientais, jurídicos, operacionais e técnicos. A gestão próxima das etapas permitiu que a evolução fosse monitorada de forma contínua, com identificação antecipada de necessidades e organização dos serviços em campo.

A execução de uma obra do porte da Ponte de Guaratuba exige uma gestão contratual capaz de acompanhar, registrar e justificar cada etapa do empreendimento. Em contratos públicos complexos, diferentes instrumentos previstos em lei podem ser aplicados ao longo da execução, como reajustes, termos aditivos e eventuais análises de equilíbrio econômico-financeiro.

Cada mecanismo tem finalidade própria. O reajuste contratual anual corresponde à atualização periódica dos valores em razão da variação de custos de insumos, mão de obra e equipamentos. Esse mecanismo é previsto na Lei nº 14.133/2021, especialmente no art. 92, que trata das cláusulas necessárias dos contratos administrativos e prevê a definição de critérios, data-base e periodicidade do reajustamento de preços. Portanto, o reajuste não representa aumento de escopo ou falha de planejamento, mas a preservação das condições econômicas originalmente pactuadas.

Os termos aditivos, por sua vez, são instrumentos formais de alteração contratual. Eles podem envolver ajustes de prazo, adequações técnicas, acréscimos ou supressões de serviços, alterações de projeto ou outras situações devidamente justificadas. A nova Lei de Licitações trata das alterações contratuais nos arts. 124 e 125, estabelecendo as hipóteses em que os contratos podem ser alterados e os limites aplicáveis.

Já o reequilíbrio econômico-financeiro é analisado em situações específicas, quando eventos extraordinários ou imprevisíveis alteram de forma relevante as condições originais do contrato. Diferentemente do reajuste, sua concessão exige demonstração técnica e documental rigorosa, além de análise pela fiscalização, supervisão e Administração Pública.

No caso da Ponte de Guaratuba, a gestão contratual conduzida pelo DER/PR contou com acompanhamento permanente das soluções executivas, controle dos cronogramas físico-financeiros e apoio técnico das equipes de supervisão. Esse modelo permitiu rastreabilidade das decisões, análise das soluções adotadas e monitoramento contínuo do avanço da obra.

Com isso, a execução foi acompanhada com base em critérios técnicos, registros documentais e instrumentos legais próprios de contratos de grande porte, contribuindo para reduzir riscos e manter o empreendimento dentro de parâmetros compatíveis com sua complexidade.

LEGADO PARA FUTURAS OBRAS - A Ponte de Guaratuba deixa um legado institucional para a infraestrutura do Paraná. O empreendimento serviu como referência para o aprimoramento de práticas de gestão, fiscalização, planejamento e controle em obras complexas.

Entre os avanços estão a adoção da contratação integrada, o uso da metodologia BIM, o fortalecimento do acompanhamento técnico contínuo, a integração entre engenharia e meio ambiente e a ampliação de programas de monitoramento ambiental, como o acompanhamento de fauna e a implantação de dispositivos de passagem de animais.

A experiência acumulada na Ponte de Guaratuba já contribui para a modernização de outros contratos e empreendimentos conduzidos pelo DER/PR. O modelo demonstra que grandes obras públicas exigem planejamento de longo prazo, decisões técnicas bem fundamentadas e gestão próxima em todas as fases, da concepção à entrega.

Com a ponte em operação, o Paraná entrega à população uma estrutura segura, moderna e estratégica para o desenvolvimento do Litoral. Ao mesmo tempo, consolida um novo padrão de gestão pública para obras de infraestrutura: planejado, técnico, transparente e orientado à entrega de resultados.

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