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Mundo pet: canil e gatil em unidades prisionais unem cuidado de animais e reintegração social

Projeto acolhe animais resgatados e promove capacitação de pessoas privadas de liberdade

Por: J6 Live Fonte: Secom SP
16/05/2026 às 07h31
Mundo pet: canil e gatil em unidades prisionais unem cuidado de animais e reintegração social
O projeto funciona como ferramenta de capacitação e desenvolvimento pessoal para pessoas privadas de liberdade do regime semiaberto. Foto: Governo de São Paulo/Divulgação

Cães e gatos resgatados das ruas têm encontrado abrigo e cuidados dentro de unidades prisionais no Vale do Paraíba. O canil da Penitenciária I “Dr. Tarcizo Leonce Pinheiro Cintra”, em Tremembé, e o gatil do Centro de Detenção Provisória (CDP) “Dr. Félix Nobre de Campos”, em Taubaté, desenvolvem um trabalho que alia proteção de animais, capacitação profissional e reintegração social.

Criado em 2019, o projeto é resultado de uma parceria entre a Secretaria da Administração Penitenciária de São Paulo, a Vara de Execuções Criminais da Comarca de Taubaté, o Conselho da Comunidade, a Prefeitura de Taubaté e o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) do município.

Estrutura abriga cães e gatos resgatados

Atualmente, o canil instalado na Penitenciária I de Tremembé abriga cerca de 70 cães e possui capacidade para receber até 200 animais. O espaço conta com uma área construída de 355,55 m² e um “parcão” de 277 m² ao ar livre, equipado com gramado e brinquedos.

Canil na Penitenciária I de Tremembé – São Paulo/Divulgação
Canil na Penitenciária I de Tremembé – São Paulo/Divulgação

Já o gatil do CDP de Taubaté acolhe aproximadamente 90 gatos em um espaço de 62,55 m², com ambientes coletivos e individuais preparados para os animais resgatados.

Gatil no CDP de Taubaté – Governo de São paulo/Divulgação
Gatil no CDP de Taubaté – Governo de São paulo/Divulgação

As estruturas também possuem áreas destinadas a banho, vacinação, tosa e armazenamento de materiais. Segundo a administração das unidades, há previsão de ampliação dos espaços para ampliar a capacidade de atendimento.

Animais chegam vacinados e preparados para adoção

Os animais acolhidos chegam às unidades já acompanhados pelo Centro de Controle de Zoonoses, vacinados, vermifugados, castrados e microchipados.

Nas unidades, recebem alimentação, higiene, socialização e acompanhamento diário até estarem aptos para adoção. Parte dos cães e gatos participa de feiras organizadas na região para encontrar novos lares.

Projeto promove capacitação e reintegração social

Além do acolhimento dos animais, o projeto também funciona como ferramenta de capacitação e desenvolvimento pessoal para pessoas privadas de liberdade do regime semiaberto.

Os participantes recebem orientação para atuar diretamente no cuidado com os pets, desenvolvendo rotina, responsabilidade e habilidades que podem contribuir para oportunidades de trabalho após o cumprimento da pena.

“O gatil do CDP de Taubaté é uma iniciativa que alia proteção animal e humanização do sistema prisional, garantindo acolhimento e cuidados a gatos resgatados das ruas, ao mesmo tempo em que promove responsabilidade, disciplina e senso de compromisso às pessoas privadas de liberdade envolvidas no projeto”, destacou Gustavo Testa Fernandes, chefe de departamento do CDP de Taubaté.

Projeto não registra reincidência entre participantes

Segundo Danilo Tobias de Oliveira, chefe de Divisão da Penitenciária I de Tremembé, o projeto tem apresentado resultados positivos desde sua criação.

“O projeto possui grande relevância social e ressocializadora. A iniciativa proporciona aos reeducandos a oportunidade de aprender uma nova profissão e desenvolver atividades em um ambiente pautado pelo afeto, responsabilidade e cuidado, fatores fundamentais para o processo de reintegração social da pessoa privada de liberdade”, afirmou.

De acordo com ele, não há registros de reincidência criminal entre os participantes do projeto desde 2019. Há também relatos de ex-participantes que utilizaram os conhecimentos adquiridos para empreender após deixarem o sistema prisional.

“Entre todos os reeducandos que participaram da iniciativa, não há registros de reincidência criminal. Além disso, há relatos de participantes que, após conquistarem a liberdade, utilizaram os conhecimentos adquiridos no projeto para empreender, como no caso de uma pessoa que abriu uma empresa de táxi dog”, disse.

Segundo Danilo, o projeto também contribui para o ambiente interno das unidades prisionais ao estimular disciplina, comprometimento e melhora na convivência entre os custodiados.

Mais do que espaços de acolhimento, o canil e o gatil se consolidaram como iniciativas voltadas à proteção animal e à reintegração social, conectando cuidado, capacitação e novas oportunidades para os participantes do projeto.

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