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Crônica para o Dia do Jornalista: entre memórias e notícias

Quando ouço a palavra jornalismo, a primeira memória que me vem à mente é a de meu pai, Margarido Ferreira de Araújo, ouvindo religiosamente as not...

Por: J6 Live Fonte: Secom Acre
07/04/2026 às 21h52
Crônica para o Dia do Jornalista: entre memórias e notícias
Foto: Reprodução/Secom Acre

Quando ouço a palavra jornalismo, a primeira memória que me vem à mente é a de meu pai, Margarido Ferreira de Araújo, ouvindo religiosamente as notícias da A Voz do Brasil, enquanto preparava o jantar.

Entre o chiado da panela de pressão e o som das louças sendo utilizadas, ecoava o noticiário. Como era criança, não entendia muita coisa, mas, pela entonação da voz dos locutores, percebia que se tratava de algo importante.

Na sequência — ou melhor, em outra frequência —, registrava a influência materna. Por meio de minha mãe, Maria das Dores Pereira, comecei a ouvir e a me atentar aos noticiários policiais e pitorescos do programa O Mundo Cão, apresentado pelo jornalista Estevão Bimbi, nas manhãs da Rádio Difusora Acreana.

No período da tarde, eu corria para a casa de minha avó, Antônia Magalhães, para continuar ligado à “A Voz das Selvas” e ouvir o Correspondente Difusora, apresentado pelo radialista Reginaldo Cordeiro, e saber dos recados e informativos direcionados aos moradores da zona rural — no nosso caso, especificamente da região do Catuaba, onde ficava a colônia da família.

Já um pouco mais velho, quando estudava na 4ª série da Escola Estadual George Eluan Kalume, a professora Neide, de Estudos Sociais, pediu que cada aluno escrevesse uma pequena redação sobre um tema livre, algo que tivesse nos chamado a atenção.

Instantaneamente, lembrei-me de uma matéria que assistira na TV Gazeta, na casa de minha avó paterna, Idília Ferreira, sobre os desafios de trafegar na BR-364. O material fora produzido pelo jornalista Washington Aquino.

Não sei por que, mas escolhi esse tema. O fato é que, à minha maneira, transcrevi aquilo que assistira. Quando mostrei o texto à professora, ela sorriu, fez algumas observações e carimbou a folha com uma figurinha do Pato Donald batendo palmas.

Ah, aquela figurinha foi um orgulho para mim — mais até do que ouvi-la dizer à turma: “Atenção, gente, o André fez uma redação interessante. Ouçam só.” Que fique registrado: nunca fui um “CDF” ou nerd. Apenas tinha uma queda por Estudos Sociais e Língua Portuguesa, minhas matérias preferidas.

O tempo passou, o mundo mudou, e aquilo que eram memórias afetivas da família e aptidões escolares transformou-se em referência de vida — ou melhor, deu-me uma profissão. Sim, mesmo sem saber, o jornalismo me escolheu desde pequeno. Até a vida adulta, nunca pensei em exercer esse nobre ofício.

Antes, fui recenseador do IBGE e auxiliar administrativo, até que o estágio em Ciências Sociais — reflexo daquela disciplina de Estudos Sociais — serviu como ponto de partida para minha “abdução” pelo jornalismo, em 2010.

E cá estou, há 16 anos, trabalhando com algo que me apaixona diariamente, especialmente no exercício de uma função da qual tenho orgulho de dizer: sou assessor de comunicação. Nem o melhor, nem o pior — apenas alguém que faz o melhor que pode, com muito amor, gratidão e profissionalismo.

Neste 7 de abril, Dia do Jornalista, dedico esta crônica a todos os colegas de profissão. Obrigado pelas apurações, pelas informações, pelos questionamentos e, principalmente, pelas soluções que vocês compartilham com a população. Sem o trabalho de vocês, eu não estaria aqui.

A todos, parabéns e gratidão.

André Magalhães de Araújo, filho de Dora e Margarido, são-paulino, militante cultural e, orgulhosamente, jornalista.

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