
Denúncias de racismo apuradas pela ouvidoria teriam sido o motivo do desligamento.

Vinicius Coimbra, diretor artístico da novela “Nos Tempos do Imperador”, foi demitido pela rede Globo na sexta (11/3) sob o argumento de que praticou assédio moral, informação também confirmada pelo seu advogado Davi Tangerino.
Segundo informações em diversos veículos de imprensa o profissional teria sido acusado de racismo por três atrizes da novela. O diretor artístico e sua equipe teriam proferido e direcionado falas preconceituosas e racistas no ambiente de trabalho, promovendo a segregação entre os atores que faziam parte do elenco da trama, separando pessoas brancas e negras do elenco, inclusive nos camarins, reclamações foram inevitáveis e chegaram ao compliance da emissora, que abriu um procedimento, e já notificou Vinicius Coimbra da decisão.
Em resposta ao jornal Folha de S. Paulo sobre o desligamento do profissional, a Globo respondeu que não expõe apurações de sua ouvidoria “em razão do sigilo garantido a todos os colaboradores em seu código de ética” e por isso, não deverá se manifestar sobre a demissão, no entanto, uma nota enviada e publicada na Folha de S. Paulo cita “preconceito racial” e destaca “Preconceito racial é uma prática não tolerada pela Globo. Mas reconhecemos que, como ocorre em todos os segmentos da sociedade, há muito a avançar no caminho da diversidade, para além das rigorosas regras de compliance que praticamos no nosso dia a dia a esse respeito”, disse a empresa Globo por comunicado.
Sobre a novela ‘Nos Tempos do Imperador’, a empresa revela que poderia ter adotado precauções extras para abordar a temática racial, nas diversas dimensões que a produção exigia.
Por meio de nota Vinicius Coimbra também se manifestou . “Nas últimas semanas, muito foi dito a meu respeito. Por isso, agradeço àqueles que prezaram por uma apuração responsável dos fatos, sem atribuir a mim atitudes que não condizem com a minha índole, minha história ou que não são da minha competência”, segundo o texto.
“Como homem branco, porém, reconheço minha responsabilidade por atitudes que reproduzem privilégios. Eu sinceramente não gostaria que isso tivesse acontecido e estou empenhado para que não se repita. Desculpei-me à época e me desculpo novamente. Reafirmo meu profundo respeito pelo elenco da novela. Quero poder contribuir para juntos repararmos esta situação e construirmos um futuro melhor”, completa.
A novela escrita por Falcão e Alessandro Marson sobre os tempos do Brasil imperial já havia sido criticada por “romantizar a escravidão” e apresentar erros factuais desde sua estreia em Agosto de 2021.
Antes de se tornar um diretor especializado em novelas de época da Globo, Vinicius Coimbra seguia carreira cinematográfica. Além da atual obra, dirigiu episódios de “Liberdade, Liberdade”, sobre uma filha de Tiradentes, e “Novo Mundo”, também passada na época do império, estava escalado para a próxima novela das seis “Mar do Sertão”, sobretudo, durante as investigações internas (em fevereiro) foi substituído por Allan Fiterman, diretor de “Quanto Mais Vida, Melhor”.
Nota da Rede Globo de Televisão
“Sobre a sua conduta e em relação a notícias recentes a respeito de denúncias envolvendo a novela ‘Nos Tempos do Imperador’, a Globo reitera que não expõe apurações de relatos recebidos por sua ouvidoria, em razão do sigilo garantido a todos os colaboradores em seu código de ética e que, por isso, não vai se manifestar sobre o assunto.
Preconceito racial é uma prática não tolerada pela Globo. A fim de manter seu ambiente corporativo livre de discriminação, a empresa conta com um sistema de compliance atuante, com treinamentos de conscientização frequentes de seus colaboradores e um código de ética que proíbe a discriminação e pune severamente as violações apuradas.
Mas reconhecemos que, como ocorre em todos os segmentos da sociedade, há muito a avançar no caminho da diversidade, para além das rigorosas regras de compliance que praticamos no nosso dia a dia a esse respeito. Em relação à novela ‘Nos Tempos do Imperador’, a empresa acredita que poderia ter adotado precauções extras para abordar a temática racial, nas diversas dimensões que a produção exigia. Nesse sentido, foram identificadas oportunidades de aperfeiçoar nossos processos internos para tratar adequadamente esta e outras temáticas sensíveis, garantindo que sua abordagem contribua para o avanço no caminho da diversidade, preservando a sensibilidade do público e de nossos colaboradores.
Este processo contínuo em busca de oportunidades de melhoria é possível em virtude da crença da Globo no permanente diálogo e na criação de mecanismos para intensificá-lo, especialmente com seus colaboradores, que desde o ano passado estão engajados em treinamentos específicos sobre Diversidade e Inclusão e em grupos de afinidades de mulheres, negros e negras, LGBTQIA+ e pessoas com deficiência para a promoção de ambientes cada vez mais inclusivos e representativos. Através de iniciativas como essas, conduzidas pela área de Diversidade e Inclusão, criada em 2020, e que fazem parte da ampla política de diversidade da empresa, a Globo avança e aperfeiçoa seus processos internos, atenta sempre para as legítimas demandas que se apresentam, sem perder o foco nos princípios que constituem a sua essência.”
Fonte: Folha de São Paulo / Pipoca Moderna
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