Mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA) acompanharam as discussões sobre os desafios da profissão, durante o I Fórum de Operações de Mergulho do CBMMA. Especialistas debateram dificuldades, práticas e estratégias utilizadas em operações subaquáticas, no evento realizado sexta-feira (4). Na oportunidade, os militares aprofundaram conhecimentos e compartilharam experiências. Bombeiros da corporação do Piauí e Pará, também prestigiaram a programação.
O comandante-geral do CBMMA, coronel Célio Roberto, fez a abertura do evento, pontuando o reflexo dos debates para o aperfeiçoamento da formação dos profissionais. “Debates como estes são uma oportunidade valiosa para promovermos a troca de experiências. Ser mergulhador é uma profissão de muitos riscos e desafios, mas, é uma missão que nós, bombeiros, cumprimos com honra e orgulho. E para esta nobre tarefa, nossos militares estão sempre se capacitando e atualizando, para estarem cada vez mais preparados para atender às situações de risco e salvar vidas com eficiência”, enfatizou.
Palestrante do fórum, o coronel Glassius Magnum explicou que o treinamento para mergulho é intenso e contínuo para tornar o militar apto a enfrentar situações extremas, de forma eficaz e segura, garantindo o sucesso da missão e sem colocar em risco a própria vida. “O que motiva nosso trabalho é o compromisso com a vida. Estamos aqui para salvar vidas e isso nos move todos os dias. Mesmo sabendo dos riscos, seguimos em frente, confiando em Deus e em nosso treinamento e experiência para lidar com as adversidades”, enfatiza o militar, que coordenou os bombeiros maranhenses na operação da ponte de Estreito.
O trabalho é complexo e de risco, podendo colocar o profissional frente a diversas dificuldades do ambiente aquático. O uso de câmara hiperbárica é essencial nesta profissão, pois assegura a saúde dos mergulhadores. O equipamento simula a pressão da água em grandes profundidades e prepara o corpo para os impactos fisiológicos da exposição subaquática. Os bombeiros mergulhadores têm à disposição equipamentos de ponta que permitem troca de informações com a base, facilitam a coordenação e auxiliam na tomada de decisões rápidas.
Apesar da tecnologia, a comunicação gestual ainda é principal forma de interação, especialmente em profundidades onde a visibilidade é comprometida, como no caso do rio Tocantins, em Estreito. São utilizados sinais universais, que garantem o alinhamento da comunicação. “Às vezes, estamos no fundo do rio, enfrentando a baixa visibilidade, e o que temos são os gestos e os sinais universais de comunicação entre nós e a base”, explica o tenente Jean Francis, que é mergulhador e também integrou a equipe que atuou em Estreito.
Integrante do Corpo de Bombeiros do Piauí, coronel Edígio Neto acrescenta que, "este trabalho exige muito treinamento, pois, a qualquer momento podem surgir imprevistos, e o preparo adequado garante uma resposta segura e eficaz".
Comandante do Batalhão de Bombeiros Ambiental (BBA) e também mergulhadora, a tenente-coronel Priscila Chahini enfatiza o reflexo da formação contínua. “A qualificação é um dos pilares da nossa corporação. Para os mergulhadores, receber instrução contínua é decisivo para que estejam aptos a atuar nas operações de salvamento e desenvolvam uma visão estratégica das ocorrências reais”, reforçou.
Troca de experiências
O fórum contou palestras que deram ênfase à operação de mergulho no caso da ponte Juscelino Kubitschek, em Estreito. O coronel Glassius Magnum conduziu a palestra ‘Aspectos operacionais referentes ao evento na ponte JK’ e mostrou uma perspectiva detalhada sobre os desafios enfrentados durante a operação. Em seguida, o tenente-coronel Paulo Timóteo Andrade apresentou a palestra ‘Operação Ponte JK - Estreito/MA: Estudo de caso sob a perspectiva do SCI/ICS’, analisando as operações a partir da ótica do Sistema de Comando de Incidentes (SCI) e do Sistema de Comando de Incidentes Subaquáticos (ICS).
Os bombeiros compartilharam relatos sobre as dificuldades enfrentadas e as estratégias adotadas para resolver os problemas emergenciais, nas operações em ambiente subaquático. O evento encerrou com a entrega de certificados aos bombeiros e bombeiras mergulhadores, homenageados pelo seu desempenho e dedicação na operação.