
Ex- Chanceler Ernesto Araújo deu o seu depoimento na Comissão
Ex-Ministro das Relações exteriores foi acusado de mentir sobre os ataques à China e confirmou que o Itamaraty trabalhou na aquisição da Cloroquina
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Ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo[/caption] A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) ouviu nesta terça-feira (18), o depoimento de Ernesto Araújo, que falou sobre as relações diplomáticas do Brasil com países como a China e a Índia, sobre a adesão ao consórcio Covax Facility e a respeito da compra de insumos para a produção da Cloroquina.
O ex-Chanceler pediu demissão do Ministério, depois de dois anos e três meses à frente da pasta, quando o Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) estava sofrendo com pressões de vários deputados e senadores, inclusive da base governista, que diziam que o Ministro estava fazendo um trabalho ineficaz para a aquisição de insumos de vacinas para o país.
Em seu depoimento, Ernesto negou que tenha feito declarações ofensivas e que jamais promoveu atrito ou conflitos diplomáticos com a China.
Durante a sua gestão no Ministério, o então chanceler e o filho do presidente, o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), protagonizaram embates públicos com o embaixador chinês, levando Ministério das Relações Exteriores a pedir retratação do embaixador chinês e até mesmo a sua substituição na embaixada, o que não aconteceu.
Para especialistas e Senadores da Comissão isto é visto como o principal entrave para o envio de insumos, o IFA, para a produção das vacinas Coronavac e Oxford/AstraZeneca, que são importados da China.
Ernesto disse em seu depoimento sobre o assunto: “jamais promovi nenhum atrito com a China, seja antes, seja durante a pandemia, de modo que o resultado que obtivemos na consecução de vacinas e outros aspectos decorrem de uma política externa de acordo com nossos objetivos, mas não era de alinhamento aos Estados Unidos e nem de enfrentamento com a China”.
Após esta resposta o Presidente da Comissão, Omar Aziz (PSD-AM), acusou o ex-ministro de mentir no seu depoimento e lembrou um artigo escrito por Ernesto em abril de 2020 em seu blog, chamando a China de “pesadelo comunista” e usando termos como “comunavírus” e “vírus ideológico”.
Os senadores que fazem parte da CPI questionaram Araújo sobre a demora em o Brasil aderir ao consórcio Covax Facility, uma aliança global liderada pela OMS( Organização Mundial da Saúde), para o desenvolvimento e distribuição de vacinas de forma igualitária entre os países que compõem o consórcio.
O Brasil demorou quatro meses para fechar um acordo que prevê 42 milhões de doses, o que seria suficiente para vacinar 10% da população brasileira com duas doses, mas o país poderia ter optado por um contrato que permitisse a imunização de 50%da população e não fez, ele alegou que partiu do Ministério da Saúde a decisão de aderir ao contrato com a quantidade mínima de doses.
Sobre isto Ernesto afirmou: “não tenho como avaliar (...) e não quer dizer que o cronograma de entrega seja, necessariamente, nessa proporção. E, aí, estamos então falando da opção por 10% ou 50% e volto ao que já respondi anteriormente, não foi uma opção da qual eu participei” respondeu.
Em outro momento falou: “não foi uma decisão do Itamaraty. Não houve participação do Ministério das Relações Exteriores nessa decisão dos 10%”.
Outro ponto questionado no seu depoimento foi a busca do Itamaraty no exterior para importação de insumos para a produção de cloroquina. O ex-chanceler afirmou havia uma expectativa de que o medicamento fosse eficaz para o tratamento da covid-19 e que fez as compras dos insumos a pedido do Ministério da Saúde.
“Em função de um pedido do Ministério da Saúde, procuramos ajudar a viabilizar uma importação de insumos para farmacêuticas brasileiras produzirem hidroxicloroquina ”, disse Ernesto.
Questionado se houve participação do presidente Jair Bolsonaro, ele respondeu: “sim”.
“O Presidente da República, em determinado momento, pediu que o Itamaraty viabilizasse um telefonema dele com o primeiro-ministro da Índia”, disse Araújo.
O Presidente é um grande defensor do uso da cloroquina como tratamento precoce para a covid-19, mas este medicamento é cientificamente comprovado como ineficaz contra a doença.
A CPI da pandemia continua nesta quarta-feira (19), com mais um depoimento, agora do ex- Ministro da Saúde Eduardo Pazuello.