
Lacta sofre boicote após o lançamento do “Feitiçaria".
Empresa sentiu na pele o que a falta de conhecimento e a ignorância por parte de seus consumidores pode causar.
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Foto: Mondelez/Divulgação.[/caption] Na década de 90 a Lacta tinha em seu casting o famoso bombom Feitiço, cujo nome era por conta da junção entre o chocolate o recheio de morango com caramelo e biscoito, ele trazia como temática na embalagem um mago que representava a cultura mística medieval.
Porém, anos depois o item parou de ser produzido, pois a empresa queria renovar seus produtos para inovar no mercado. Após duas décadas a Lacta decidiu relançar o "Feitiço", mas com um novo nome e uma nova roupagem, assim passou a se chamar "Feitiçaria", trazendo em sua embalagem o clássico mago.
O produto entrou como um teste no mercado para a páscoa deste ano, por isto não era ilustrado nas caixas, e também não era encontrado em todas as embalagens da marca. Mas tudo isso acendeu um pavio de pólvora em grande parte de seus consumidores.
A empresa foi alvo de críticas e de boicotes por conta da interpretação errônea sobre o produto, às pessoas começaram a publicar nas redes sociais que a Lacta estava produzindo um produto satânico, amaldiçoado e benzido, foi acusada também de estar induzindo seus consumidores à praticar magia negra. Sim claro! Um absurdo!
O que na verdade aconteceu foi a não interpretação da embalagem do produto e de sua temática. Usaram o produto como forma de disseminar o ódio, principalmente preconceito e intolerância religiosa. O chocolate que era para ser algo que remetesse a era medieval, aos filmes de Harry Potter, aos magos e ao misticismo europeu, na verdade ficou marcado como o “bombom do cão”.
Após toda a polêmica, a Mondelez que é detentora da marca Lacta assim como de várias outras, decidiu modificar o produto com uma nova embalagem e um novo nome, mas com a mesma receita. O produto modificado já está no mercado, com o nome de Lacta Morango.
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Foto: Novo Lacta morango/ Portal Finanças.[/caption] A Mondelez emitiu uma nota por meio de sua assessoria de imprensa, que de forma clara afirmou que os questionamentos são falsos, e que o produto não tem viés religioso.
Confira abaixo na íntegra o posicionamento da empresa enviado à imprensa:
"Lacta, marca de chocolates da Mondelēz International, esclarece que o Feitiçaria é uma mini barra recheada com geleia de sabor morango, caramelo e biscoitos cobertos com chocolate que faz parte do sortimento da Caixa Lacta Favoritos desde setembro de 2020. O candybar Feitiçaria é releitura do bombom Feitiço, sensação nos anos 90, que também tinha o sabor frutado de morango. Todos os nossos produtos são feitos com qualidade e muito carinho. O produto não tem nenhum viés religioso e as alegações que o questionam são falsas. Os consumidores podem ficar tranquilos para continuar consumindo o produto. Seguimos à disposição em caso de dúvidas por meio do nosso Canal de Atendimento ao Consumidor."
Todo o ocorrido mostra o quanto falta conhecimento das coisas e bom senso na sociedade. Mais uma vez vemos grupos religiosos, cuja denominação coreta deveria ser intolerantes, praticando o que sua fé determina, a disseminação de ódio, julgamentos, críticas e até supostas premonições, tudo isto claro fruto da ignorância.
Hoje tudo é pretexto para se atacar algo ou alguém, e quando vemos um “chocolate" ser atacado e abominado, temos a certeza de que parte da sociedade não evoluiu intelectualmente e culturalmente, o que é de se preocupar.
O falso cristianismo, hoje mais do que nunca em evidência, continua disseminando o ódio e julgando o que é certo ou errado, o que pode e o que não pode, rotulando pessoas, culturas e produtos como frutos do diabo. Infelizmente vemos aí a decadência da raça humana, que se prende em sua própria ignorância.
Até a onde vai esse cristianismo que só serve para condenar e rotular ? Que cristianismo é este, que entra em contradição com as suas próprias diretrizes e com o seu principal manual, que é a Bíblia?
Mesmo que o Feitiçaria fosse um produto de viés religioso, caberia à todos o respeito, afinal intolerância religiosa é crime, e não cabe a ninguém independente de ser cristão ou não condenar e atacar. Busquemos mais o conhecimento, ele elimina qualquer preconceito e qualquer ignorância pré-estabelecida pela sociedade.
Fica nítido que o capitalismo ainda terá muitos desafios pela frente. Muitas barreiras sociais terão que ser enfrentadas.