
O impacto do lixo que produzimos no planeta
Por que o ser humano gera tanto lixo? A questão está diretamente ligada ao modelo de desenvolvimento que vivemos, vinculada ao incentivo do consumo
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Ilha de Lixo Plástico nas Maldivas, no Oceano Pacífico Foto: Reprodução[/caption] Hoje estou aqui para falar de assunto muito importante e que merece ser debatido e discutido pela sociedade em geral, a quantidade de lixo (também chamado de resíduos) que produzimos diariamente e o efeito que isso causa no nosso meio ambiente. Como ele na maioria das vezes não é descartado corretamente, resulta em problemas como a contaminação da água, do solo e até do ar que respiramos.
Nos últimos 30 anos o aumento de lixo produzido no mundo foi três vezes maior que o aumento populacional.Em 2019 o Brasil gerou 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos, e cada brasileiro produziu em média 1,1kg por dia, em dados elaborados pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Públicas e Resíduos Especiais (Abrelpe). Com isso o Brasil é o quarto país que mais produz lixo no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia, segundo dados do WWF (Fundo Mundial para a Natureza).
Estes são apenas alguns índices que mostram como nós, seres humanos, estamos falhando em cuidar daquilo que é muito importante para a nossa sobrevivência como espécie, o meio ambiente. Pois o lixo é um produto produzido puramente do homem, seja ele orgânico (restos de alimento, folhas, sementes, papéis, madeira, entre outros), inorgânico (vidros, metais, plástico, etc.), ou tóxico (baterias, pilhas, materiais nucleares e hospitalares).
Pequenas atitudes podem diminuir produção de lixo
Estamos vivendo em uma sociedade cada vez mais consumista, e que descarta as coisas muito rapidamente sem nenhum critério, apenas jogamos fora e substituímos por outras mais novas e modernas, mesmo sem precisar. Compramos produtos como roupas, eletroeletrônicos, alimentos sem necessidade e em excesso, sem ter a exata noção dos impactos que estas escolhas causam ao ambiente em que vivemos.
Uma vez que não temos a preocupação ou interesse em saber se esse lixo está sendo recolhido da forma adequada, se está recebendo o tratamento que deveria nos aterros sanitários, se estão sendo reciclados de forma correta.
Isto é muito preocupante porque grande parte desse lixo que produzimos em nossas residências não tem um destino correto, acaba indo parar em lixões a céu aberto sem nenhum tipo de cuidado e tratamento, ou nas ruas das grandes cidades, ficando expostos a insetos que espalham doenças contagiosas, entupindo saidas de escoamento de água e consequentemente causando enchentes em épocas de chuvas.
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Foto: Divulgação[/caption] Atenuar e diminuir este problema, requer uma atitude responsável em relações as nossas ações, aderindo a reciclagem, fazendo a separação do lixo doméstico, como papel, plástico, vidro, lixo orgânico, alumínio.
Temos que ser pessoas melhores, cidadãos mais conscientes, planejando melhor a compra de alimentos para evitar o desperdício, doando roupas e sapatos em bom estado e não simplesmente descartando no lixo, dando preferência a embalagens retornáveis, recusando sacolinhas plásticas de supermercados, canudinhos em lanchonetes, não jogando papel ou embalagens de plástico na rua, são atitudes pequenas, mas que passam a mensagem de que a gente quer uma mudança nesse sentido.
Eu sei que somente isto não vai mudar o panorama, que não terá um impacto grande, mas é um começo, e uma maneira individual de contribuir mesmo que de maneira tímida para melhorar a situação do ambiente em que vivemos para as gerações futuras.
O Problema é de todos e cada um tem que fazer a sua parte
Na verdade o problema é sistêmico, e todos têm a sua parcela de responsabilidade na solução, a indústria, o governo e nós, como sociedade.
A indústria poderia utilizar mais energia de fontes renováveis, investir em novas tecnologias, implantando práticas sustentáveis na sua cadeia de produção e criando mais produtos reaproveitáveis.
O governo (Federal, Estadual, Municipal) tem que mostrar um real interesse, sem demagogia e politicagem barata, para ajudar efetivamente implantando ações como projetos de compostagem, aterros sanitários, criando sistemas de coleta de lixo, colocando em prática a política dos 5R´s, REDUZIR, REPENSAR, RECUSAR, REUTILIZAR E RECICLAR, desenvolvida pelo Ministério do Meio Ambiente.
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Foto : Reprodução[/caption] Reduzir, a geração de resíduos, Repensar, os processos da industrialização dos produtos, Recusar, produtos que agridem o meio ambiente, Reutilizar, materiais ou mercadorias que possam ser reaproveitáveis, Reciclar, ao máximo os resíduos das indústrias.
A reciclagem é muito importante nesse processo, pois o Brasil só recicla 3% de todo o lixo que produz, segundo a WWF, isto é muito pouco diante do potencial que os especialistas acham que o país pode atingir que seria em torno de 30%.
Quanto a nós, cidadãos, temos que ter mais consciência coletiva das coisas, repensar esse consumismo desenfreado, a banalização do descarte de tudo, pois é através dessas atitudes que incentivamos as indústrias a produzirem cada vez mais, fabricando produtos de baixa qualidade, utilizando matérias-primas de origem desconhecida, e descartando gigantescas quantidades de resíduos tóxicos nos rios, e emitindo enormes quantidades de gases venenosos na atmosfera, comprometendo a qualidade do ar que respiramos.
Estilos de vida que buscam o equilíbrio com o meio ambiente
Hoje em dia existem alguns movimentos da sociedade, em que pessoas estão buscando um caminho que vai contra a tudo isto, tentando dar um sentido mais nobre a sua existência, não cedendo as tentações desse consumo sem controle.
Estamos falando do minimalismo, um estilo de vida que vem ganhando adeptos e cresce no mundo todo, e prega o desapego das coisas, dos bens materiais, a não ostentação, só mantendo o que é necessário e importante para o seu dia a dia, e vivendo com aquilo que acha necessário no momento, seja com três mudas de roupas, um par de sapatos, pouquíssima mobília na casa, usa uma bicicleta e não um carro para ir trabalhar, tornando sua vida mais simples e saudável, com a ideia de que menos é mais.
Outro exemplo de estilo de vida que está em evidência, é o essencialismo, que são pessoas que procuram saber quais as coisas que são importantes na sua vida, cortando tudo que não é essencial, interrompendo com o ciclo de dizer sim para tudo e todos, focando sua atenção e energia em seus objetivos, e não deixando que os objetivos do outro controle a sua vida, como chefes, amigos, seus familiares, etc.
Elas praticam o ato de escolher, o direito de decidir o que é melhor para elas, vivendo com menos, mas melhor, sempre na busca do autoconhecimento, eliminado ações e atividades que não lhe trazem contribuição pessoal.
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Casa de Carlos Eduardo nos moldes da bioconstrução Foto: Arquivo Pessoal / Carlos Eduardo da Silveira[/caption] O Naturalismo é outro estilo de vida que propõe viver em mais harmonia com a natureza, pensando e escolhendo soluções de vida que causam menos impacto ao meio ambiente.
Um dos seus pilares é a bioconstrução, que visa à criação de espaços e construções preservando os elementos naturais, utilizando matéria primas adequadas, que não agridem o meio ambiente, empregando recursos naturais renováveis, trazendo à autossuficiência a comunidade local.
Estes são alguns exemplos de pessoas que escolheram fazer uma mudança na maneira como vivem, adquirindo novos hábitos que visam encontrar o meio termo e equilíbrio sem agredir tanto o meio ambiente.
Este texto não tem a pretensão de obrigar ou exigir que alguém mude ou adote algum novo estilo de vida que citei acima, muito longe disso, o que se deseja é estabelecer o debate, a discussão, mostrando assim formas de modificar o panorama atual em que vivemos como sociedade, e buscar a mudança, desde que todos estejam realmente engajados, sejam com pequenas ou grandes mudanças, pois só assim que conseguiremos, com ações concretas e não com discurso teórico em redes sociais.